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Do tamanho
do mundo

LEANDRO BELINASO
96 páginas, 2021
 
ISBN 978-65-990667-8-8 
Apresentação
de Flávio Carneiro

Desenhos
de Ivan Jerônimo 

   "Morei por um tempo na casa da biologia, mas peguei gosto pelo nomadismo que a educação me permite experimentar. Multiplicidades e dissensos me atravessam o tempo todo. Quando algo se foca insistentemente à minha frente, acredito ser a hora de provocar um desvio. Vivo inundado da literatura que me arrebata, dos filmes que me afetam, das fotografias que me tocam, dos ensaios que me atordoam, das outras existências vivas que me movimentam e das banalidades cotidianas que me comovem. Aprecio o silêncio que um corpo narra. Sou capaz de passar o dia inteiro dentro de um museu de arte contemporânea ou de uma biblioteca centenária. Os rios menores me capturam mais que os mares oceânicos. Adoro a independência e a sabedoria dos felinos. Escrever é minha arte. Ler é minha obsessão. Atuo na formação docente junto às narrativas escritas e imagéticas embebidas de ficção. Oriento pesquisas que articulam a educação, a arte e a cultura, a partir de perspectivas que flertam com os estudos culturais." 

Vive em Florianópolis, Santa Catarina.   

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Um trecho de "Do tamanho do mundo"

       “Estou aqui nesta ponte e preciso atravessar. Meu pai fica me pressionando para eu passar logo para o outro lado se não a gente vai se atrasar e isso não pode acontecer no primeiro dia de aula na escola nova. Não falei, mas estou usando uma mochila nas costas. Ela é antiga. A mesma que usava na minha escola velha. Dentro dela eu coloquei um álbum de figurinhas de animais. Faltam poucas para eu completar. Por exemplo, a da hiena, que é um tipo de cachorro muito besta porque só sabe rir. Bem diferente do Rex, que não deu risada quando aquela menina foi buscar ele. Hienas vivem em bando e brigam até com os leões. Elas se acham muito fortes, mas só dentro da cabeça delas, porque os leões sempre ganham. Eu gosto das hienas porque mesmo na derrota elas continuam rindo, mas eu acho que é de nervoso. Será que na minha escola nova tem gente colecionando figurinhas de animais? E se as palavras que eu vou aprender forem muito grandes e difíceis e em uma mesma linha só tiverem essas enormes para a gente tropeçar quando lê? Como se a língua da gente estivesse usando sandálias e atravessando uma ponte com o sol batendo na cara”.

          (...)